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Entre ACDC e Bad Bunny – o paradoxo da gestão de marcas

Cecilia Troiano
Cecilia Troiano 04/2026 • 2 minutos de leitura
Entre ACDC e Bad Bunny – o paradoxo da gestão de marcas

Quem me conhece sabe que nem de longe sou alguém entendida de música. Mas, se tem alguma coisa que sou, é curiosa e observadora do mundo ao meu redor. E, por anos de profissão e paixão, um longo envolvimento com gestão de marcas e comportamento de pessoas. Juntem todos esses ingredientes e é sobre isso que quero falar – marcas, música e pessoas. 

Bad Bunny e ACDC estiveram no Brasil com poucas semanas de diferença. Shows super disputados, caros e com fãs dormindo na porta dos estádios para garantir um lugar próximo aos seus ídolos. De um lado, o fenômeno contemporâneo de maior sucesso no Spotify nos últimos tempos, estrela do intervalo do Super Bowl, a latinidade pura e fervente, com coreografia e cenários coloridos. Do outro lado, o puro suco do rock clássico, com seus uniformes de escola que não mudam há 40 anos, guitarras distorcidas e uma estética monocromática que sobreviveu a todas as modas.

Enquanto Bad Bunny representa a marca fluida, que se alimenta do algoritmo, da renovação constante e da estética do ‘agora’, o AC/DC é a marca monumento: imutável, previsível (no melhor sentido da palavra) e dona de um patrimônio de marca tão sólido que não precisa de um novo hit para lotar estádios.

O paradoxo está aqui: como pode uma marca que se recusa a mudar (AC/DC) ser tão valiosa quanto uma que dita a mudança (Bad Bunny)? É o embate entre a relevância cultural imediata e a consistência histórica inabalável.”

O que essas 2 marcas nos ensinam? Um maravilhoso paradoxo que vemos em muitas outras arenas de negócio: a longevidade raiz do ACDC versus a viralidade digital do Bad Bunny. Como muitos paradoxos, não se trata de identificar qual pólo é mais forte. A diferença está na “química” que cada marca ativa e como se criam os vínculos. Reconhecer o poder em ambos os lados já é um passo para evitarmos achar que a verdade é sempre pelo novo, pela renovação, pelo contemporâneo. ACDC e Bad Bunny nos presentearam com muito mais do que músicas potentes: nos deram uma aula de gestão de marca.

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